Paralisação
Sem acordo em audiência de mediação do TRT, rodoviários seguem com indicativo de greve
Após a categoria recusar em assembleia a proposta de reajuste salarial apresentada pelo Consórcio, discussões foram levadas à Justiça
Foto: Volmer Perez - DP - Se não houver resolução, o sindicato convocará nova assembleia para apreciação da deflagração de greve
A primeira rodada de negociação entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pelotas e Região (STTRP) e o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTPC) mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) não teve acordo entre as partes. O maior impasse está na reivindicação dos funcionários pela criação de uma nova categoria com piso salarial específico para os motoristas que desempenham também a função de cobradores. Na próxima sexta-feira está marcada mais uma reunião de mediação. Se não houver resolução, o sindicato convocará nova assembleia para apreciação da deflagração de greve.
O entrave também se deve ao percentual de 7% de reposição sobre os salários e o vale alimentação demandando pelos rodoviários, enquanto o Consórcio oferece reajuste de 3,81% referente a inflação do período. A proposta que tinha sido recusada em assembleia realizada pelo sindicato foi a mesma apresentada novamente na audiência de mediação no TRT. Além disso, a categoria pleiteia a criação de uma nova categoria funcional com piso específico para os motoristas que também cumprem a função do cobrador.
Outro pleito é um aumento salarial de 25% para essa classe, independentemente do índice de reposição do ano. O acréscimo teria sido definido com base no salário da função de cobrador, o que representaria em torno de R$ 650. Já o Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Pelotas argumenta que não há razão para criação de uma nova categoria já que boa parte dos motoristas que executam dupla função teriam sido contratados especificamente para isso ou seriam cobradores que foram promovidos a condutores.
Para o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Claudiomiro Amaral, a reunião na Justiça do Trabalho foi "frustrada, porque a empresa não trouxe uma proposta diferente daquela que já tinham apresentado". O representante afirma que mesmo com uma possível oferta de um índice de reajuste maior do que o 3,81% pelo Consórcio, os trabalhadores não farão acordo sem um consenso sobre a criação da nova categoria. "A gente vê essa posição da patronal como descaso com o trabalhador, porque hoje ele está desempenhando uma segunda função e não está sendo reconhecida. A empresa nem sequer tenta amenizar essa situação".
De acordo com Claudiomiro, a pedido do Ministério Público, a categoria não deflagrará greve antes da reunião de negociação na sexta-feira. Caso não haja consenso entre as partes, os rodoviários irão realizar nova assembleia na segunda-feira à noite para apreciar sobre o início de uma paralisação. "Não é interesse da categoria fazer essa paralisação porque em hipótese alguma queremos prejudicar o usuário, mas também temos que fazer força para que esses trabalhadores sejam reconhecidos", justifica.
Proposta alternativa
Conforme o Advogado do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Pelotas, Enoc Guimarães, a única possibilidade de nova proposta aos rodoviários depende da decisão do Município. A alternativa seria uma antecipação do reajuste de R$ 1 para os passageiros que pagam em dinheiro, que seria no dia 1º de junho, para o dia 1º de abril. Ele diz que a medida geraria um recurso que possibilitaria oferecer um acréscimo de remuneração aos condutores que também são cobradores. "Seria possível pagar alguma coisa, tipo uma diária. Mas a tendência é não ter mais cobrador e todo o motorista dirigir e cobrar, como aliás já faziam há muito anos nos micro-ônibus", diz.
O reajuste elevando a tarifa de R$ 5 para R$ 6 foi anunciado pela Prefeitura no final de fevereiro. No entanto, o aumento só valerá para quem paga em dinheiro, demais modalidades de pagamentos não serão elevadas.
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